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Museu da Justiça inaugura exposição sobre lideranças quilombolas femininas no Rio de Janeiro

Item da exposição, o mural reúne lideranças quilombolas do passado e do presente De Dandara dos Palmares a Tia Uia, a exposição “Lideranças Quilombolas do Rio de Janeiro: História e Resistência”, inaugurada na quarta-feira, 3 de junho, no Museu da Justiça, homenageia mulheres que marcaram a história da resistência quilombola no estado. A mostra, que estará disponível até setembro, reúne trajetórias de lideranças do passado e do presente que desempenham papel fundamental na luta pelo reconhecimento, valorização e preservação das comunidades quilombolas fluminenses. A exposição do Museu da Justiça foi desenvolvida em parceria com a Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência (Coem), o Núcleo de Promoção de Políticas Especiais de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar (Nupevid) e a Associação das Comunidades Quilombolas do Estado do Rio de Janeiro (Acquilerj) para celebrar o protagonismo das mulheres quilombolas na construção da cultura e na conquista de direitos das 54 comunidades remanescentes do estado. Representando a coordenadora da Coem, desembargadora Adriana Ramos de Mello, a juíza Luciana Fiala de Siqueira Carvalho destacou que a exposição transmite a mensagem fundamental de que a “justiça também é a casa delas”. A magistrada ressaltou que o Judiciário deve ser um espaço de acolhimento para as mulheres quilombolas, que são as “guardiãs da ancestralidade, da tradição dos povos”, mas que ainda enfrentam graves desafios como a violência de gênero e o racismo. A primeira sala da mostra dá destaque à história do Quilombo dos Palmares e de uma de suas lideranças, Dandara dos Palmares A estrutura da exposição foi pensada para romper com uma abordagem estritamente cronológica. De acordo com a historiadora e curadora da exposição, Lydia de Carvalho, a mostra adota uma perspectiva cíclica da história, baseada em uma “ancestralidade viva que conecta o passado e o presente”. Essa conexão temporal é simbolizada pela frase da presidente da Acquilerj, Bia Nunes, que marca a passagem entre as salas: “A Dandara de ontem é a Dandara de hoje”. O percurso está organizado em três salas. A primeira, intitulada “História”, aborda o Quilombo dos Palmares e destaca a participação das mulheres em espaços de liderança política e militar. A segunda, nomeada de “Luta”, apresenta trajetórias de lideranças como Dona Eva e sua filha Tia Uia em uma galeria em formato de árvore, concebida para evidenciar que, apesar de suas experiências singulares, essas mulheres compartilham raízes e desafios comuns. Além disso, também é dado destaque à atuação do "Projeto Dandara”, iniciativa do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) que busca ampliar o acesso à Justiça e fortalecer o diálogo institucional com comunidades quilombolas. Por fim, a sala “Resistência” utiliza mapas e vídeos para aproximar o público da realidade contemporânea, indicando a localização dos mais de 50 quilombos oficialmente reconhecidos no estado do Rio de Janeiro. Para Lydia de Carvalho, a mostra vai além do registro histórico e busca contribuir para a valorização dessas comunidades, chamando a atenção da sociedade para demandas urgentes relacionadas à garantia de direitos e à preservação da dignidade dos povos quilombolas.               A presidente da Acquilerj, Bia Nunes, ao lado de seu retrato na exposição Presente na cerimônia, Bia Nunes ressaltou o simbolismo de ocupar o espaço do Museu da Justiça. Segundo ela, “pela primeira vez a justiça abriu a casa para que a gente pudesse entrar e permanecer”. A presidente ainda destacou que a presença das comunidades quilombolas no local permite “mostrar a nossa cara, mostrando a nossa história, a nossa essência”. A inauguração também ocorreu no Dia Estadual em Homenagem à Mulher Quilombola, celebrado na data de nascimento de Carivaldina Oliveira da Costa, conhecida como Tia Uia. Para Nally de Oliveira, filha de Tia Uia e neta de Dona Eva, ver a trajetória de sua família retratada no Museu da Justiça representa o reconhecimento de uma “trajetória de um legado” que muitas vezes foi alvo de apagamento histórico. Nally conclui, afirmando que é um “motivo de muito orgulho saber que isso é parte de um legado que elas começaram uma construção e nós temos o dever de terminar essa construção”. Ao finalizar o evento, a diretora do Museu da Justiça, Silea Macieira, descreveu a mostra como um ato “extremamente simbólico” que firma o papel do Tribunal em colocar na pauta as lutas das minorias por direitos e dignidade. Segundo a diretora, a parceria com as comunidades e a presença das lideranças no evento são o que “torna o nosso museu vivo, como ele deve ser: com vozes, força e lideranças”. A filha de Tia Uia, Nally de Oliveira (de casaco branco), puxando a fita de inauguração da mostra Também estiveram presentes na inauguração, a integrante do Conselho Consultivo da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (Emerj), a juíza Kátia Cilene da Hora Machado Bugarim, e a coordenadora do Núcleo de Promoção de Políticas Especiais de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar (Nupevid), Jacqueline Leite Vianna Campos. VM/IA Fotos: Felipe Cavalcanti / TJRJ
08/06/2026 (00:00)
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